Tenho de confessar que uma das minhas coisas favoritas na vida... é ler ao ar livre, especialmente na praia. Apenas deitada na areia, a relaxar e a esquecer-me de tudo o resto. Por isso, diria que levar um livro é tão importante como levar protetor solar!
As livrarias talvez conspirem contra mim e encham as suas montras com lançamentos novos, deixando-me muito tentada a comprar tudo [mesmo sabendo que infelizmente não teria tempo para ler tudo]. Com tantas escolhas, por vezes deixamos excelentes opções para trás. Tendo isto em mente, e não apenas o que está na moda, escolhi 4 livros de géneros diferentes e decidi lê-los durante o verão.
Como já me antecipei para escrever isto, partilho convosco as minhas escolhas:
1. THE COUNTRY OF OTHERS, de Leïla Slimani
Escrito pela escritora franco-marroquina Leïla Slimani, "The Country of Others" acompanha a vida de Mathilde enquanto ela se adapta à sua vida rural em Marrocos. Mathilde, que se apaixonou por um soldado marroquino durante a Segunda Guerra Mundial, deixa a França para trás para viver uma nova vida numa sociedade muito diferente. Dividida entre a sua nova família e a saudade do que lhe é familiar, seguimos o seu próprio caminho e a luta pela independência do Marrocos.
O livro dá-nos principalmente a perspetiva de Mathilde e os desafios que enfrenta, a vida dura na quinta, os seus laços familiares complicados e a falta de afeto e compaixão do marido. A autora consegue dar-nos alguns vislumbres das perspetivas de outras personagens, em particular da sua jovem filha Aïcha.
Confronta-nos com uma variedade de temas como a exploração da identidade, feminilidade, sentido de pertença, liberdade, herança, discriminação, religião, cultura, família, raça e tradição.
Trata-se de um retrato cativante, ricamente atmosférico e detalhadamente intricado do Marrocos em meados do século XX.
Gostei mesmo muito e a melhor parte é que podemos continuar a história com... o segundo volume: "Watch Us Dance".
2. SHUGGIE BAIN, de Douglas Stuart
Vencedor do Booker Prize de 2020 e finalista em mais de 20 prémios importantes, este primeiro romance de Douglas Stuart conquistou o meu coração. É uma história comovente sobre um jovem rapaz gay, Shuggie, que cresce tentando proteger a sua mãe alcoólica. Ao longo da história seguimos a jornada autodestrutiva de Agnes e como a sua dependência do álcool arruina a vida dos seus três filhos. Num cenário de pobreza na Glasgow dos anos 80, senti-me esmagada pela relação anormal entre um filho e o seu progenitor dependente de substâncias, assim como pelo vínculo que partilham.
Prepare-se para um livro que não o fará sorrir nem feliz. Está cheio de desespero, tristeza e solidão. E vale cada página!
3. LUCY BY THE SEA, de Elizabeth Strout
Li todos os romances de Elizabeth Strout, por isso recomendo o último que li. Se nunca entrou no mundo de Lucy Barton, comece pelo primeiro "My Name Is Lucy Barton". Não o vai desiludir!
Este último romance passa-se durante o confinamento da covid e situa Lucy e o ex-marido William no Maine. É uma Lucy diferente, com menos energia e a sentir muita falta da sua vida em Nova Iorque. Não há tardes de compras na Bloomingdale's com as suas filhas para arejar a mente e diminuir os sentimentos claustrofóbicos.
Podemos sentir uma sensação de "déjà vu" sobre o estado de espírito das primeiras semanas e meses da pandemia, sentir o panorama político da altura e tudo o que muda Lucy. Ela não será a mesma, mas encontra esperança no novo caminho à frente (como a maioria de nós).
4. THE VANISHING HALF, de Brit Bennett
Fiquei mesmo presa desde o início... e cada capítulo terminava com um cliffhanger que me fazia murmurar "só mais um" e as páginas viravam-se quase sozinhas. Tudo começa em 1968 quando Desiree regressa sozinha a Mallard. Sem marido mas com marcas muito visíveis, e uma filha pequena chamada Jude. A partir daí saltamos do presente para o passado em flashbacks que nos permitem atravessar décadas e descobrir a história das gémeas Vignes, filhas de um homem linchado. Degree e Stella aprendem desde jovens que a sua pele clara e olhos castanhos não as protegerão do preconceito ou dos crimes de ódio. Fogem da sua pequena cidade na Louisiana para seguir caminhos divergentes. Outras personagens como Jude, Reese ou Barry tornam a trama ainda mais rica e diversa. Uma história que nos faz refletir sobre o eu autêntico e o eu projetado... 
Boas leituras e desejo a todos um ótimo fim de semana!
Cláudia Cavaleiro, editora-chefe do editorial CINCO. Nasceu em 82 em Coimbra, é licenciada em Filosofia pela Universidade de Coimbra. Apaixonada por livros e podcasts de uma forma geek, está sempre a encontrar algo interessante para pesquisar. Adora sensibilizar para problemas sociais e adora trabalhar na CINCO!
