nascida em elvas (portugal) em 1867 numa família humilde de agricultores, adelaide passou os seus primeiros anos a trabalhar em casa e na terra. aos 18 anos, casou com manuel cabete, que a incentivou e lhe deu força para estudar. aos 22, concluiu o ensino primário, e aos 27, terminou o ensino secundário com distinção, sendo a única rapariga numa turma de 119. para que adelaide pudesse inscrever-se na escola médico-cirúrgica, o casal decidiu vender os poucos bens que possuíam e mudar-se para lisboa. ao longo da sua carreira, procurou sistematicamente alargar os seus conhecimentos, não sem grande esforço para combater os preconceitos existentes contra as mulheres instruídas, e licenciou-se com uma tese sobre "a proteção das mulheres grávidas pobres como meio de promover o desenvolvimento físico das novas gerações".

adelaide completou a sua formação primeiro como médica generalista e depois como especialista no que hoje chamamos ginecologia e obstetrícia. as preocupações sociais acompanharam a sua vida médica e levaram-na a tornar-se uma voz ativa na defesa dos cuidados maternos e infantis e do acesso à saúde pública. pioneira na defesa da licença de maternidade, procurou promover o bem-estar das mulheres, tanto grávidas como mães solteiras, bem como das prostitutas, não só durante a gravidez, mas também após o nascimento dos seus filhos. preocupada com as condições médicas e sanitárias, envolveu-se também na luta contra a tuberculose, o alcoolismo e a má nutrição e higiene que acompanham a pobreza.
usou a sua posição para influenciar outras áreas da saúde da mulher, falando publicamente sobre os perigos dos espartilhos, dos saltos altos para grávidas, das saias compridas (que favorecem os ácaros do pó) e das dietas restritivas ou substâncias usadas para emagrecimento (como o vinagre). à frente do seu tempo, foi também defensora do fim do hábito de fumar há muito tempo, assim como do consumo de álcool.

em 1925 participou no congresso internacional das mulheres em washington, e após regressar a portugal, começou a corresponder-se com mulheres envolvidas na luta pela libertação das mulheres em todo o mundo. foi esta troca de ideias que lhe permitiu tornar-se uma das feministas mais importantes do seu tempo.

ao longo da sua vida, não poupou esforços nem energia na defesa do direito das mulheres ao voto, por melhores e mais iguais condições de trabalho, pelo direito à educação e pelo direito aos cuidados de saúde, especialmente para mulheres e crianças. faleceu em 1935 e é uma das nossas mulheres inspiradoras.
cláudia cavaleiro a editora-chefe do editorial CINCO. nascida em 82 em coimbra, é licenciada em filosofia pela universidade de coimbra. apaixonada por livros e podcasts de uma forma geek, está sempre a encontrar algo interessante para pesquisar. adora sensibilizar para problemas sociais e adora trabalhar na CINCO!
