“a moda ainda faz o nosso coração acelerar? porque estou prestes a derramar algumas lágrimas nesta exposição”, escrevi a li furtado, fundadora, diretora criativa da CINCO e uma querida amiga minha, na manhã do dia 22. não foi a minha primeira visita à fundação azzedine alaïa no número 18 da rue de la verrerie em paris, mas desta vez estava lá para ver a exposição: ALAÏA/GRÈS: PARA ALÉM DA MODA.

não é claro se os dois alguma vez se conheceram, mas as suas criações têm, indiscutivelmente, muito em comum. alaïa, le dernier grand couturier, como muitos o chamam, não era apenas um verdadeiro connoisseur do corpo feminino, mas também um defensor da liberdade. foi um dos primeiros a manifestar preocupações sobre o apertado calendário da moda e só apresentava as suas coleções ao seu próprio ritmo. como disse numa entrevista: “se ainda gosto da minha coleção antiga, por que deveria fazer uma nova?”. simples, mas tão em sintonia com o momento presente.

tanto alaïa (1940-2017) como grès (1903-1993) estudaram escultura e passavam horas sozinhos nos seus ateliers a aperfeiçoar o seu ofício. a simplicidade era fundamental. simplicidade aparente, poder-se-ia acrescentar, pois as suas criações escondiam uma complexidade inerente que facilmente passaria despercebida ao olho nu. complexidade no corte e no design. as semelhanças entre os dois incluem não só a técnica guiada pelo tecido, a escolha dos tecidos – ambos adoravam jersey de seda e veludo – mas também os seus princípios e visão única do que a alta-costura deveria ser.
havia algo de bastante mágico na forma como madame grès drapeava um vestido. nas suas próprias palavras: “quando drapeio um manequim em seda (jersey), por exemplo, o tecido responde nas minhas mãos”. ela costumava descrever-se como tudo menos uma “boa costureira” (“a bonne couturière”). para ela, era isso que a alta-costura significava, sobressair no seu ofício. uma visão partilhada por alaïa. ele afirmou uma vez que, de todas as palavras que poderiam descrever o que fazia, acreditava que couturier (“aquele que cose”) era a que mais lhe assentava.

sou definitivamente parcial quando se trata de azzedine alaïa. ele tem sido o meu couturier favorito desde que me lembro, mas foi uma experiência verdadeiramente emocional estar tão perto das criações dele e de madame grès. e sim, derramei uma lágrima… ou duas.
ALAÏA/GRÈS: PARA ALÉM DA MODA está em exibição até 7 de abril na fondation azzedine alaïa.
Fondation Azzedine Alaïa
18 Rue de la Verrerie 75004 Paris
+33 (0)1 87 44 87 75
cátia santos reis "o mundo é teu, mas a grécia é minha” poderia ser o seu mantra, pois cátia santos reis ainda não encontrou uma ilha grega por quem não se tenha apaixonado. entretanto, continua a viajar pelo mundo. para o editorial da CINCO, a jovem de 34 anos partilhará as suas coisas favoritas para fazer, visitar e comer em cada destino.avaliamos de forma independente todos os produtos e serviços recomendados. se clicar nos links que fornecemos, poderemos receber uma compensação.
