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international technology day: AI vs art, the future of creativity

dia internacional da tecnologia: IA vs arte, o futuro da criatividade

01 O FUTURO DA IA E A SUA ONIPRESENÇA
a inteligência artificial está a transformar a forma como produzimos conhecimento e agimos em vários setores, incluindo prevenção do crime, comunicação, sustentabilidade, economia, medicina e arte. apesar da sua onipresença, mudanças significativas esperam-nos, e muitas questões permanecem sem resposta. a chave para o sucesso reside em construir uma IA com boas intenções, conhecimento e conformidade com as normas comunitárias, leis e regulamentos. esta IA deve ser confiável e ética, alinhando-se com os princípios e valores éticos atuais. para ser honesto, isto representa uma grande ambição de mudança e evolução paralela da sociedade, enquanto os humanos continuam a lutar por valores e princípios éticos. eu diria que confiança e conhecimento são palavras-chave nesta jornada.

02 ARTE VERSUS CRIATIVIDADE
antes de analisarmos a relação entre arte e inteligência artificial, é essencial compreender a diferença entre o conceito de arte e criatividade. as questões no campo são as seguintes: pode uma máquina ser criativa?; pode uma obra feita com inteligência artificial ser considerada arte?; é importante perceber que tanto o conceito de arte, como o de criatividade, têm sido alvo de várias discussões desde muito cedo… o conceito de arte muda constantemente ao longo do tempo na nossa história.

a melhor definição do termo arte é o substantivo “comunicação”. para haver comunicação, devem existir dois indivíduos. a arte é arte apenas quando alguém diz que é arte, e isto está dentro de um contexto social e cultural. podemos portanto dizer que existem diferentes géneros de comunicação e expressão. o significado atualmente atribuído à palavra criatividade não tem nada a ver com o uso do termo nas civilizações antigas. na Grécia antiga, qualquer forma de arte, expressa em pintura ou poesia, por exemplo, não era criação. a palavra "criar" nem sequer existia, o termo mais próximo era “fazer”. o conceito de criatividade é portanto multidimensional. está ligado às artes em geral — música, dança, literatura, campos científicos, media, mundo empresarial e indústria. regra geral, associamos criatividade à ideia de uma visão diferente e uma forma diferente de sentir: "é ver o que todos os outros viram e pensar o que ninguém mais pensou como leonardo da vinci afirmou. a criatividade é uma capacidade que está em todos nós, só precisa de ser trabalhada. como qualquer outra capacidade, há pessoas que são melhores do que outras! podemos portanto dizer que a criatividade é bastante diferente da arte e são dois conceitos, embora interligados, bastante distintos.

03 ARTE VERSUS INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
a relação entre arte e inteligência artificial levanta questões sobre se os computadores podem criar arte e se os humanos podem permitir que o façam. o desafio está na apreciação pública da obra feita por máquinas, pois é o público que transforma a obra em arte. diferentes estilos artísticos, géneros, públicos e artistas contribuem para a compreensão da arte. por exemplo, uma pintura de leonardo da vinci, um filme de steven spielberg, uma sinfonia de beethoven ou um bailado de salle le peletier são considerados arte, não porque tenham uma característica fundamental que os defina, mas porque são áreas que os humanos podem apreciar e compreender, mesmo sem conhecer o tema específico.

no entanto, há casos em que essa apreciação já não é tão direta. marina abramovic, que fica minutos a olhar para estranhos... andy goldsworthy ephnemeral, que faz uma construção com ramos partidos sobre pedras num ribeiro no meio da natureza... john cage, que se senta em silêncio durante quatro minutos e trinta e três segundos em frente a um piano… todas estas obras não são reconhecidas como arte de forma tão direta. isto porque não está claro o que pretendem transmitir. neste sentido, é ainda mais complexo para os seres humanos inferir significado e comunicar com um objeto artístico criado por uma máquina.

a apreciação da arte está enraizada num quadro que valoriza o trabalho físico e intelectual, o significado e a intenção. no entanto, isto não se aplica a obras criadas por inteligência artificial. as máquinas têm produzido arte há muito tempo, mas sempre foram guiadas por humanos. na inteligência artificial, as redes neurais baseiam-se na aprendizagem, e as máquinas baseiam-se em conceitos pré-definidos para criar os seus próprios. para se tornarem máquinas totalmente generativas, precisam de aprender e desenvolver intenção criativa.

04 UMA CONCLUSÃO PARA REFLETIR
em conclusão, a realidade é que os seres humanos deixam um pouco de si em tudo o que criam. essa humanidade é inevitável, mesmo quando se constrói uma máquina que funciona autonomamente. por agora, a inteligência artificial não se gera sozinha. é impressionantemente autónoma? sim. pode criar arte e ser criativa? sim, pode. mas há outras questões para pensar. como pode a inteligência artificial criar arte por si só? como será essa arte apreciada? outra questão interessante que o meu professor de IA costumava colocar na faculdade: "a arte produzida pela inteligência artificial será tratada como arte no sentido tradicional da palavra, no sentido de ser colecionada, haverá curadores e críticos?". acho que estamos perto de descobrir. finalmente, deixo-vos a questão mais importante...

será que esta arte alguma vez será autónoma da humanidade e criará a sua própria narrativa? continuará a ser arte depois disso? uma coisa é certa, se não somos independentes da influência uns dos outros, como poderemos alguma vez criar uma inteligência que o seja?

foto da apoteose de hércules, no chateau de versailles [ via unplash ]

sofia torres é a designer de media digitais na CINCO. nascida em 97, acredita que a sua forte paixão pelo que faz lhe permite criar trabalhos significativos. a sua formação inclui um mestrado em design multimédia na universidade de coimbra. desde o primeiro dia, adora trabalhar na CINCO.

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