A história da joalharia e da relojoaria foi escrita em grande parte por mulheres. Mulheres que não herdaram o seu lugar — que o conquistaram. Com visão, ousadia e um sentido estético que redefiniu o que uma jóia pode ser.
Estes são alguns dos nomes que deves conhecer.
Cleópatra — A Jóia como Poder
Ouro, esmeraldas e lápis-lazúli. A forma mais glamorosa de impor estatuto — e a última rainha do Egipto conhecia-a melhor do que ninguém.
Cleópatra usou a joalharia como nenhuma outra antes dela: não apenas como adorno, mas como instrumento político e religioso. Cada peça era uma declaração. Cada metal, uma mensagem. O ouro afirmava divindade. As esmeraldas, riqueza e fertilidade. O lápis-lazúli, ligação ao sagrado.
Numa época em que o poder se lia no corpo, Cleópatra percebeu que uma jóia pode valer mais do que mil palavras. Que o que se usa comunica antes de se falar. Que a elegância, quando é intencional, é sempre uma forma de autoridade.
Dois mil anos depois, essa ideia continua actual.
Jeanne Toussaint — La Pantera
Ousada, elegante e poderosa. Jeanne Toussaint foi a mente por detrás de um dos símbolos mais icónicos do luxo — e uma das figuras mais influentes da história da Alta Joalharia.
Em 1933, tornou-se directora criativa de uma das maiores maisons parisienses, cargo que ocupou durante grande parte do século XX. Durante esse tempo, desdobrou toda a amplitude da sua criatividade: introduziu pedras coloridas em combinações inesperadas, inspirou-se na natureza, nos animais e nas culturas do mundo numa época em que isso era considerado radical.
O seu apelido, La Pantera, não era apenas um nome. Era um retrato. Feroz na visão, elegante na execução, indomesticável na forma como recusou os limites do que a joalharia podia ser.
Toussaint não seguia tendências. Criava-as. E o seu legado é a prova de que a joalharia pode ser simultaneamente escultura, narrativa e poder.
Mercedes Gleitze — A Primeira Testemunha
Em 1927, Mercedes Gleitze atravessou o Canal da Mancha a nado. Mais de dez horas na água. No pulso, um relógio de pulso hermético — o primeiro do género — que chegou ao outro lado a funcionar na perfeição.
Gleitze não era apenas uma nadadora. Era a prova viva de que a precisão e a resistência podiam coexistir num objecto que se usa no corpo. A sua travessia tornou-se um dos momentos mais icónicos da história da relojoaria — e ela, a primeira testemunha da história do sector.
O que a torna notável não é apenas o feito desportivo. É o que ele simbolizou: que um objecto de pulso pode ser tão resistente quanto a pessoa que o usa.
Suzanne Rohr — A Mestra do Esmalte
Suzanne Rohr é uma das artesãs suíças mais raras da história da relojoaria. Especializada em técnicas tradicionais de esmaltagem — uma arte que exige anos de aprendizagem, mãos absolutamente firmes e uma paciência que poucos possuem — colaborou durante cinco décadas com uma das mais prestigiadas casas de relojoaria do mundo.
Cada peça que saiu das suas mãos é única. Não porque foi desenhada para o ser, mas porque o esmalte é uma matéria viva — que reage ao calor, à luz, ao toque. Rohr dominou essa imprevisibilidade durante meio século. Isso não é artesanato. É mestria.
Elsa Peretti — O Luxo que Flui
Modelo italiana, filantropa e designer, Elsa Peretti redefiniu o luxo moderno com uma linguagem que ninguém tinha usado antes: formas fluidas, orgânicas, inspiradas na natureza. Ossos, sementes, gotas de água — elementos do mundo natural transformados em jóias de uma elegância intemporal.
O que a distinguia não era apenas o design. Era a convicção de que uma jóia deve assentar no corpo como se sempre lá tivesse estado. Sem esforço. Sem exibicionismo. Com aquela presença subtil que é a marca do verdadeiro luxo.
Peretti provou que o minimalismo pode ser profundamente sensual. E que a natureza é sempre o melhor ponto de partida.
Margaret de Patta — Onde a Arte Encontra a Função
Margaret de Patta não via a joalharia como decoração. Via-a como escultura portátil — e tratava-a com a mesma seriedade intelectual que um arquitecto trata um edifício.
Com precisão geométrica e uma abordagem visionária ao design, desafiou as convenções da joalharia do século XX. As suas peças casam arte e função de forma radical: formas abstractas, materiais inesperados, estruturas que parecem suspensas no espaço. Não são apenas belas. São pensadas.
O seu trabalho convida-nos a ver a joalharia como uma extensão deliberada e significativa de quem somos. Não o que usamos. O que somos.
Suzanne Belperron — A que Nunca Assinou
“O meu estilo é a minha assinatura.”
Uma frase que fez história. Dita por uma designer francesa que, reconhecida pelo seu estilo vanguardista, orgânico e ousado, decidiu desafiar a estética dominante do Art Déco — e impor a sua própria como selo pessoal. Não uma marca. Não uma assinatura. Uma estética tão inconfundível que dispensava qualquer etiqueta.
Belperron trabalhou em Paris desde os anos 20. As suas formas orgânicas, os volumes esculturais, o uso inovador de pedras semipreciosas — tudo era imediatamente reconhecível para quem sabia ver. Foi admirada por artistas, aristocratas e figuras da cultura. E recusou, até ao fim, reduzir o seu trabalho a um nome impresso numa peça.
Só póstuma e gradualmente o mundo reconheceu a dimensão do seu contributo. Mas o seu legado é claro: a identidade de um designer pode ser mais forte do que qualquer assinatura.
Coco Chanel — A que Usou a Jóia como Linguagem
Chanel não era joalheira. Era algo mais raro: uma mulher que percebeu o poder de uma jóia antes de toda a gente. Usou bijuteria com couture numa época em que isso era impensável. Empilhou colares. Misturou o real com o falso. E ao fazê-lo, libertou a joalharia das suas regras mais rígidas.
A sua influência não se mede em peças desenhadas. Mede-se na forma como usou a joalharia para dizer quem era — sem precisar de explicar.
Angela Cummings — A Artista que Veio do Metal
Angela Cummings estudou ourivesaria na Alemanha antes de se tornar uma das designers mais influentes da joalharia americana contemporânea. As suas peças são reconhecíveis pela precisão técnica e pela inspiração na natureza — folhas, flores, formas orgânicas tratadas com rigor artesanal.
O que a distingue é a recusa em separar arte de artesanato. Para Cummings, uma jóia é sempre as duas coisas.
O Que Estas Mulheres Têm em Comum — E o que Inspiram
Nenhuma delas esperou permissão. Todas — de Cleópatra a Angela Cummings — usaram a joalharia como linguagem, como poder, como identidade. E deixaram um legado que continua a inspirar quem, hoje, escolhe este ofício com intenção.
Na CINCO, esse legado é sentido em cada peça. Fundada e desenhada por Li Furtado, com formação em geografia, a marca carrega uma forma particular de ver o mundo — através de estruturas, proporções e relações. Essa base traduz-se em peças com presença: linhas precisas, volumes assumidos, formas que parecem inevitáveis. Não seguem tendências — criam uma linguagem própria. Há uma tensão intencional entre delicadeza e força. Entre o essencial e o marcante. Jóias que não pedem validação — ocupam o seu espaço.
Cada peça é feita à mão em Portugal, certificada pela INCM, pensada para durar e para dizer quem és.
Explora a colecção CINCO — joalharia portuguesa feita para durar e para dizer quem és.