Fazer esboços para CINCO sendo alguém que só aprendeu a desenhar mapas topográficos é extremamente difícil, por isso gosto de encarar isto como eu a criar ideias e depois a ter pessoas ao meu lado que me ajudam a torná-las realidade. Para ser sincera, sempre fui uma criadora na minha mente embora não tivesse as capacidades para materializar as minhas ideias. Mesmo no liceu era conhecida por conseguir destruir fisicamente qualquer projeto criativo que começássemos. Trazer ideias para a mesa compensava o facto de eu não saber desenhar ou materializar nada, mesmo que a minha vida dependesse disso.
Nos últimos anos tenho dedicado todo o meu ser a este processo de criação para CINCO, e de repente os meus pequenos esboços transformaram-se em milhares de brincos e colares usados por todo o mundo.
Mas como é que isto acontece?

A visão é aquilo em que mais gosto de trabalhar. Antiga ou futurista, raramente atual. Pretendo distanciar-me o máximo possível do mundo que já conheço. Tenho uma queda pelo design de interiores e ultimamente tenho estado obcecada com o pós-modernismo e os anos 80. Não é "CINCO, simples com atitude"? Acho que teremos sempre esse lema, mas de vez em quando inspiramos algumas das minhas obsessões nas nossas peças. Essa pode ser a melhor parte de ter um projeto como o CINCO, ter a liberdade de passar horas a enriquecer a memória visual com a esperança de que um dia isso inspire um bom desenho.
Deixando as divagações de lado, o objetivo deste artigo é revelar como desenho uma peça de joalharia para CINCO. Depois de alimentar os meus pensamentos com visuais, parto para as ideias. Mensalmente [ou a cada três meses quando me falta inspiração] abro um caderno em branco e reúno um conjunto de ideias. Estão elas ligadas? Estão relacionadas com CINCO? São joalharia? Algumas ideias surgem e nunca veem a luz do dia, mas esse é o processo criativo: um mar infinito de ideias onde só duas ou três são implementadas e, na realidade, apenas uma terá um verdadeiro impacto nas pessoas.
Os brincos magda, por exemplo, começaram num espelho. Vi primeiro as formas volumosas, grandes e redondas e pensei “tenho de fazer brincos disto”. Os magda nasceram. É verdadeiramente nas formas em que a joalharia pode ser transformada que gosto de encontrar a minha criatividade. Não chego lá pelas minhas capacidades de desenho, mas pela capacidade de imaginar e transmitir a mensagem aos nossos mestres ourives.
li furtado é a fundadora e diretora criativa da CINCO. Nascida em 82 no Alentejo, Portugal, licenciou-se em geografia pela Universidade de Coimbra. Depois de trabalhar 10 anos como consultora, largou o emprego para seguir o seu sonho e amor pela moda. Com uma mente criativa e inquieta, é movida por novas ideias e o seu foco é ter sempre tempo para desfrutar a vida com a sua família.
