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should we love or demonize valentines day?

devemos amar ou demonizar o Dia dos Namorados?

ninguém sabe ao certo as origens do dia dos namorados. pensa-se que seja uma mistura de tradições pagãs, com o festival lupercalia a celebrar a fertilidade e dedicado a faunus (o deus romano da agricultura), e uma mistura de tradições católicas, com pelo menos dois santos valentine a realizar atos de coragem em nome do amor (um desafiando o imperador cláudio III e casando secretamente jovens apaixonados, e o outro escrevendo uma carta à sua amada assinada "o teu valentine" antes de morrer).
o facto é que muito tempo depois da sua criação, esta data deixou de ser uma celebração consensual. enquanto alguns gostam de usar o dia para realizar atos românticos, outros acham que não passa de uma estratégia de marketing.

e se nos encontrarmos solteiros neste dia, seja por escolha ou não, então este dia parece existir apenas para nos irritar. talvez pudéssemos todos adotar a tradição estoniana e finlandesa e usar este dia para celebrar também o amor platónico. conhecido como ystävän päivä em finlandês e sõbrapäev em estónio, o dia do amigo é celebrado tanto por solteiros como por casais.

então existe uma resposta objetivamente correta?
é verdade que o dia dos namorados é explorado pelo marketing comercial. ao criar muitos presentes para este dia em particular, estão de certa forma a condicionar o consumidor, que, se optar por não comprar, poderia de algum modo magoar os sentimentos da sua cara-metade. é por isso que as montras estão cheias de presentes e produtos com corações e tons de rosa e vermelho. os restaurantes estão cheios e os hotéis lançam promoções para escapadinhas românticas.

esta atitude dá origem à crítica anti-consumista de que os românticos merecem formas melhores, mais autênticas e sustentáveis de expressar o seu afeto. gestos que realmente transcendam o momento mas que reflitam um compromisso com a pessoa e a relação. a ideia popular de que o Natal é quando queremos que seja pode e deve ser aplicada a esta data – o dia dos namorados é quando queremos que seja.
por outro lado, com as vidas ocupadas que levamos, não há nada como uma celebração para nos despertar para a oportunidade de mostrar à nossa cara-metade que o romance está vivo e bem. um gesto de afeto que surge quase ao comando do despertador, mas é real. é sempre agradável, temos de admitir.

cláudia cavaleiro a editora-chefe do editorial CINCO. nascida em 82 em coimbra, é licenciada em filosofia pela universidade de coimbra. apaixonada por livros e podcasts de uma forma geek, está sempre a encontrar algo interessante para investigar. adora sensibilizar para problemas sociais e adora trabalhar na CINCO!

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