evoluímos e a tecnologia está em todo o lado nas nossas vidas. sempre que vejo algo de há 80 anos, percebo quantos vazios ocupamos. televisão, computador, ipad, telemóvel. ocupamos o nosso tempo com milhares de instrumentos digitais que não precisamos e sentimos falta do silêncio. curiosamente, nunca valorizei o silêncio tanto como agora, quando fui invadida por estímulos e precisei de parar e afastar-me da tecnologia por um tempo.
estranhamente, a forma como me afastei da tecnologia, tão dependente que eu era dela, foi adquirindo mais tecnologia. admito que sofro de fobia de notificações. preocupo-me que algo esteja a acontecer e eu não saiba. este é o meu maior medo, que me aproxima do telemóvel. mas depois, obviamente, o telemóvel não tem nada de relevante para me dizer. o que faço é entrar num ciclo de ir e vir entre mensagens, email, whatsapp, voltar às mensagens, voltar ao email, voltar ao instagram, verificar o instagram da CINCO, telegram, notícias. é super cansativo e já passou uma hora. o meu dia e o meu intelecto estão iguais. e fico frustrada. enquanto estou frustrada vou ao google e procuro "quantas horas devo pesquisar na internet?", depois vou à minha caixa de email, instagram, email outra vez, whatsapp, envio uma mensagem, e nada, continuamos num vazio de nada. este ciclo é realmente obsessivo e cansa-me. um frenesi que quase sempre resulta em nada, sempre disponível para nada.
consciente deste ciclo obsessivo, mas também consciente de que ainda não estou pronta para viver sem saber o que se passa, decidi tomar algumas medidas para reduzir o tempo que dedico ao mundo online. aqui estão e espero que ajudem se sentires o mesmo:
— Tenho mantido o meu telemóvel afastado de mim o máximo de horas possível. por isso, deixo-o para trás assim que chego a casa e tento não o levar em muitos passeios, especialmente para jantar ou para o parque;
— Comprei um apple watch com 3g onde ativei as notificações das apps mais importantes, para que se algo realmente importante estiver a acontecer eu saiba (vou lidar com o FOMO numa editorial futura);
— Decidi começar a ler três livros, um de poesia, um de ficção e um de marketing. tentar ver qual me agradava mais fez com que não desistisse à primeira tentativa. para não falar no facto de ter reduzido o uso do telemóvel e a desculpa de não ter tempo para ler acabou.

Não sei se isto vai resultar, mas acho que pode ser uma boa forma de ser menos dependente do telemóvel. Confesso que é uma imagem de mim mesma que não gosto muito.
li furtado é a fundadora e diretora criativa da CINCO. nascida em 82 no alentejo, portugal, licenciou-se em geografia pela universidade de coimbra. depois de trabalhar 10 anos como consultora, largou o emprego para seguir o seu sonho e amor pela moda. com uma mente criativa e inquieta, é movida por novas ideias e o seu foco é ter sempre tempo para desfrutar a vida com a sua família.
