há umas semanas, o retalhista espanhol de rua Mango revelou a sua mais recente colaboração com a designer Victoria Beckham. a coleção é pura “posh”: há muito tailoring, vestidos de corte enviesado e algumas peças de malha que podem facilmente transitar da vida citadina para uma escapadela à praia. mas, para além de um screenshot de uma saia de malha que uma amiga me enviou por mensagem, não ouvi muito sobre isso. e não é como se tivesse vivido debaixo de uma pedra, mas o que achamos destas colaborações entre fast fashion e designers de luxo? ainda são relevantes? ou já atingiram o auge?
quando se trata de colaborações entre fast fashion e marcas de luxo, nenhuma outra marca o faz como a H&M. a casa sueca associou-se a todos os grandes nomes: o falecido Karl Lagerfeld, Lanvin, Jimmy Choo, Maison Martin Margiela, Alexander Wang, Kenzo, Mugler, Balmain só para citar alguns. as pessoas literalmente faziam filas durante horas na esperança de pôr as mãos numa ou mais peças dessas coleções. eu era essa pessoa. felizmente, na altura, era blogger de moda e tinha acesso antecipado e convites para todos os eventos de imprensa. mas, mesmo assim, o esforço era grande. com o tempo, acabei por me desfazer de todas as peças que alguma vez tive. algumas ainda tinham as etiquetas, outras usei uma vez ou nunca.
na teoria, estas colaborações são um bom negócio para todas as partes envolvidas: os retalhistas de fast fashion mantêm a sua relevância, as marcas de luxo ganham exposição a clientes aspiracionais, e os clientes obtêm peças de designer por uma fração do preço. é a democratização da moda. mas na vida real, quem tem tempo e energia para fazer fila à porta de uma loja durante horas ou mesmo acampar durante a noite? eu certamente não. além disso, quando estas coleções chegam às lojas, já as vimos inúmeras vezes em todos os principais influenciadores de moda nas redes sociais.
e as colaborações podem ir além da lógica retalho-luxo. nos últimos anos, tivemos dois grandes players no campo do luxo, Gucci e Balenciaga, a juntarem forças num que parecia ao mesmo tempo cool e estranho. uma mala “hourglass” da Balenciaga com o icónico logo GG da Gucci? e a Balenciaga não é estranha a colaborações “estranhas”. já se associou à empresa de entregas DHL e, no ano passado, à cadeia de supermercados de luxo de LA, Erewhon. a verdade é que a colaboração entre marcas existe desde sempre, e provavelmente não vai desaparecer tão cedo. mas por muito que antes adorássemos estas coleções, os tempos mudaram. com a sustentabilidade a desempenhar um papel tão importante em todas as discussões sobre moda, precisamos mesmo de mais roupa para o que já é um fluxo abundante de coleções?
cátia santos reis "o mundo é teu mas a Grécia é minha” poderia ser o seu mantra, já que cátia santos reis ainda não encontrou uma ilha grega por que não se tenha apaixonado. entretanto, continua a viajar pelo mundo. para a editorial CINCO, a jovem de 34 anos partilhará as suas coisas favoritas para fazer, visitar e comer em cada destino.
