tendência é uma palavra desgastada, mas ainda domina as conversas de moda. mais do que como começam, vale a pena notar como morrem mais rápido do que nunca. sapatos jelly, labubu, laço de cabelo, stanley cup, a estética old money ou boho: todos se tornaram grandes tendências apenas para desaparecer. a velocidade infinita da criação de conteúdo é o maior inimigo das próprias tendências. os criadores precisam de falar sobre tudo o tempo todo, inflacionando ciclos que colapsam antes da maturidade. as marcas que se apressam neste ruído pagam o preço: produtos falham, estratégias envelhecem em semanas e coleções transformam-se em desperdício cultural e material.




há, no entanto, um contra-movimento. muitas marcas, incluindo casas de luxo, estão agora focadas em peças intemporais, investindo na durabilidade e reinventando tendências eternas. em vez de perseguir o próximo momento viral, apostam em produtos que sobrevivem ao ruído. por vezes, não criar um frenesim à volta de um artigo torna-se a melhor forma de publicidade, permitindo que a peça fale por si e ganhe relevância ao longo do tempo. sustentabilidade não é apenas sobre tecidos orgânicos, mas também sobre desacelerar o consumo e reformular o ritmo.

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este burnout precoce também mudou as parcerias: influenciadores hiperativos são substituídos por perfis mais calmos que transmitem aura em vez de ruído. talvez esta seja a verdadeira lição para 2026: não evitar as tendências por completo, mas escolher quais merecem tempo, investimento e atenção. num mundo saturado, resistir ao hype pode ser a declaração mais ousada.
cláudia cavaleiro a editora-chefe do editorial CINCO. nascida em 82 em coimbra, é licenciada em filosofia pela universidade de coimbra. apaixonada por livros e podcasts de uma forma geek, encontra sempre algo interessante para pesquisar. adora sensibilizar para problemas sociais e adora trabalhar na CINCO!
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